Passatempo de Halloween – Vencedora
Nome: Cátia Matos
Alcunha: Cate
Idade: 15 anos
Cidade: Lisboa
As vozes do Halloween
Poucas horas faltavam para soarem as doze badaladas. Era dia 31 de Outubro e a confusão reinava em casa do Fletcher. Zombies e vampiros rodopiavam de um lado para o outro, assustando os convidados daquela que seria uma mega festa.
Uma abóbora saltitante aproximou-se de Tom, sentado nas escadas. Na verdade não era uma abóbora, era o Dougie.
- Hey, ainda não estás vestido?
O Tom olhou para cima e não conseguiu conter o riso.
- Não estou com espírito para isso. E não quero fazer figuras como tu.
- Oh, c’mon – O Dougie tentou sentar-se também, mas a gigante abóbora redonda que envergava dificultava-lhe os movimentos – Não estou assim tão mau, pois não?
Estava. Ele percebeu isso mal o Tom lhe lançou ‘aquele’ olhar. Amuou. Virou-lhe as costas e foi-se embora.
- O Tom disse que eu estava patético – resmungou, servindo-se de mais um copo de sangria do caldeirão assim que chegou à cozinha.
- Não estás nada, eu gosto de abóboras andantes – consolou-o o Harry. Este estava vestido de vampiro, com calças, gravata e capa preta e uma camisa branca que contrastava com a escuridão das roupas e o azul dos seus olhos. Tinha tirado os dentes postiços para poder falar.
- Estás a referir-te à Izzy, não a mim.
Por acaso a Izzy também estava vestida de abóbora. E o Harry sabia que o Dougie, em comparação com ela, parecia de facto patético. Com aquele corpo franzino dentro dos collants pretos e aquele cabelo espetado cheio de gel. E depois um fato enorme que quase lhe tapava a visão e o pescoço. Mas o Harry nunca iria admitir isso ao Dougie, destroçar-lhe-ia o coração.
- Tu és a minha aboborinha preferida – segredou o Harry ao seu ouvido. Isso deixou o Dougie feliz.
- NOITE DE HALLOWEEEEEN!
Era o Danny, o rei da festa e o lobisomem de serviço. Os seus alvos eram as raparigas com boa aparência que, depois de se assustarem, deixavam-se levar pelos encantos de Mr. Jones.
A Gi, que estava vestida de bruxa, chegou-se ao pé do Danny e puxou-o pelo colarinho da t-shirt rasgada, interrompendo a dança entre ele e uma rapariga esqueleto.
- Anda cá – ordenou.
- Hey hey, o que foi?
- Temos de animar o Tom. Alguma ideia?
O Danny fulminou-a com o olhar.
- Não acredito que acabaste de interromper a minha dança para me pedires isso.
- Não sejas assim Dan! O Tom parece um zombie e não reage. Nem está mascarado.
- Vou ver o que consigo fazer – disse, afastando-se.
Danny foi à procura dos rapazes. Onde é que se teriam metido o Harry e o Dougie logo agora que precisava deles? Subiu até ao andar de cima. Nada. Procurou no sótão. Nada. Mas que raio. Foi até a arrecadação e deu de caras com a abóbora que procurava.
- Dougie, o que é que estás a fazer?
- Hum, eu…
- Larga essa Frankenstein e ajuda-me a encontrar o Harry.
Embaraçado, o Dougie rapidamente empurrou a rapariga e seguiu o Danny numa busca para encontrar o vampiro. Felizmente, não demoraram mais do que cinco minutos até o encontrarem, estando ele no jardim das traseiras já pronto para mordiscar o pescoço da sua vítima.
- O que é que aconteceu desta vez Dougie?
- O problema não sou eu!
- É o Tom – informou o Danny tentando parecer sério.
- Vou buscar umas bebidas – a Izzy escapuliu-se, deixando os três rapazes sozinhos.
- É outra vez a história de o Tom te achar patético, Dougs?
- Agora que dizes isso. Realmente Dougie, esse fato não te favorece.
- Podem parar? – O Dougie já estava mais laranja que a sua abóbora – O que é que se passa com o Tom afinal?
- Não está com espírito para o Halloween, o que é estranho porque ele até costuma gostar deste dia.
- Então o plano é arranjar uma ideia para ele entrar no espírito? – perguntou o Harry.
- Na verdade, já tenho um plano.
Harry, Danny e Dougie abandonaram a festa. Pela porta traseira trouxeram a bateria, as guitarras e o baixo. Depois os amplificadores e os microfones. No final, montaram tudo. Pediram ajuda à Gi e à Izzy para iluminarem e decorarem a rua. Elas assim o fizeram.
- Estamos prontos?
Estavam mais que prontos. O Harry sentou-se, pegou nas baquetas e começou a tocar baixinho. O Danny marcou os primeiros acordes na guitarra. Também o Dougie se fez ouvir, de uma forma desajeitada devido ao seu fato. Era o vampiro, o lobisomem, a abóbora e, quem faltava?
- Veste qualquer coisa e tira essa cara de mal-encarado.
- Desculpa? É esta a cena em que apareces com uma maçã para me envenenares?
A Gi não desistiu.
- Deixa-te disso Tom, todos se estão a divertir menos tu.
Lá fora a música tocava. Uma música familiar aos ouvidos de Tom. Grande parte das pessoas da festa estavam agora no meio da rua, a vibrar ao som da guitarra e da bateria. Mas era só aquilo? questionavam-se. Não só os esqueletos, os vampiros, os lobisomens, os zombies, os fantasmas e as bruxas estavam preocupados. Também os rapazes estavam de pé atrás quanto ao seu plano. Porque é que ele ainda não tinha aparecido?
- Isto é…?
- DESPACHA-TE!
O Tom voou até ao primeiro andar abrindo caminho entre as restantes pessoas e trocou rapidamente de roupa. Vestiu um manto branco, colocou gel no cabelo e maquilhou-se com a ajuda da Gi.
- Um fantasma, uuh – ela sorriu e deu-lhe um beijo – Vai lá assustar aquela gente.
A rua encheu-se de cor e movimento. Os caldeirões junto à bateria do Harry explodiram e o Tom apareceu.
- GHOSTBUSTERRRS!
Um grito geral veio confirmar a energia vivida. Vizinhos e vizinhas juntaram-se à festa, espalhando doces por toda a rua à medida que chegavam.
- If there’s something strange in your neighbourhood who ya gonna call?
- GHOSTBUSTERS!
O Danny lançou um sorriso ao Tom e este retribuiu-lhe com um ainda maior. Era a noite de Halloween, tudo podia acontecer. Tudo, até o imprevisível. Tudo. Até aquele concerto memorável.




























THAT'S THE TRUTH
NOWHERE LEFT TO RUN
ABOVE THE NOISE
SHINE A LIGHT
PARTY GIRL 

